A MISSÃO DE FRANCISCO TAMBÉM É A NOSSA MISSÃO

Ide e fazei discípulos entre todas as nações! (cf. Mt 28, 19)

 

Esta citação do Evangelho de Mateus foi o lema da Jornada Mundial da Juventude que aconteceu este ano no Rio de Janeiro, onde tive a oportunidade de estar presente. Uma mensagem tão forte e tão significativa que marca todo o impulso missionário da vida da Igreja a séculos. Como já sabemos a grande inspiração para o itinerário de São Francisco são os Evangelhos. Fatalmente ele se deparou com essa passagem. E mesmo que, segundo as nossas fontes, Francisco não tivesse a “intenção” de ter adeptos, ele acabou realizando, em sua forma mais profunda o ideal dessa passagem do Evangelho. Francisco foi um exemplo vivo de seguimento radical de Jesus Cristo, um homem que abandonou muito mais que sua família, seus amigos ou sua honra. Ele abandonou a si mesmo nas mãos do Pai que jamais abandona aqueles que fazem o firme propósito de segui-lo. (Esse foi um dos aspectos que mais me chamou atenção neste santo homem).

Mais Francisco recebeu de Jesus uma missão: “Francisco vai e reconstrói a minha Igreja que está em ruínas”. Somente essa expressão daria um grande tratado para entendermos o real significado desse pedido. Vamos ver com calma. Para começar a entendermos o que isso significou para Francisco precisamos viajar até o seu contexto.

Estamos falando da Idade Média. Nesse período a Igreja era detentora do poder espiritual e temporal. Poder temporal significa que a Igreja tinha também o poder do Estado em suas mãos. Ou seja, estamos falando de uma Igreja que possuía muitos bens, riquezas e poder na sociedade. Francisco recebe o seu chamado nesse ambiente. No início ele o viu de forma modesta, acreditava que a reconstrução se referia a Capela de São Damião que estava em ruínas. Somente depois ele percebeu que a reconstrução deveria ser em âmbito muito maior. Passava pela reconstrução de toda a Igreja de Jesus Cristo. Francisco, “escolheu” a única forma que poderia ser eficaz, nessa época, para cumprir com o mandato do Senhor: O TESTEMUNHO. Não adiantava Francisco ir para as praças gritar que a Igreja deveria ser pobre, até porque ele não era especialista em oratória, mas com a sua vida ele mostrou que o verdadeiro seguimento de Jesus passa por um abandono de tudo que não nos deixa olhar para os irmãos, onde Cristo está presente em “Carne e Osso”. Por isso, valores como a Fraternidade, a oração e a pobreza são tão preciosos para a espiritualidade franciscana. Uma espiritualidade que nos coloca em xeque, pois pede que vivamos não para nós mesmo, mas para os outros, onde Francisco via o rosto do próprio Cristo.

Neste mês em que celebramos a Festa de São Francisco de Assis, aproveitemos para ver, em seu exemplo de vida, um parâmetro para atualizar a nossa própria missão. A missão que Francisco assumiu e cumpriu com grande maestria e simplicidade agora é nossa. Somos todos chamados a cumprir com a nossa missão de cuidar de Cristo que se mostra a nós no irmão ou na irmã necessitado, que precisa ver a luz de Cristo que deve morar em nós. Que neste mês das missões, o espírito “missionário”, que moveu Francisco possa nos mover para um seguimento autêntico de Nosso Senhor Jesus Cristo, inspirador de nosso Pai Seráfico.

  Frei Juciney Medeiros TOR

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