A Palavra de Deus na Liturgia

A PALAVRA DE DEUS NA LITURGIA (Márcio R. Motta)   2º- Domingo da Páscoa (1º de maio) A 1ª. Leitura (At 2,42-47), narrando a difusão e o crescimento da Igreja, apresenta a Primeira Comunidade dos fiéis como modelo e inspiração para todas as comunidades cristãs. Os primeiros cristãos eram assíduos, perseverantes, em ouvir os ensinamentos dos Apóstolos e na oração. Movidos pela fé, viviam a comunhão fraterna, repartindo seus bens e partilhando o pão em suas refeições, com alegria e simplicidade de coração.   O Evangelho (Jo 20,19-31) narra a aparição do Senhor Ressuscitado, manifestando à Comunidade que Ele está vivo e foi glorificado pelo Pai. Transmitindo aos seus os dons do Espírito, confere-lhes a missão de anunciar a salvação – a Paz, a Vida nova, o Reino de Deus ao mundo inteiro, com o perdão dos pecados. O dom da vida nova, na “Paz” (Shalom) acontece na comunhão verdadeira com os irmãos em Jesus Ressuscitado. E o que nos impede de viver de acordo com os valores do Reino de Deus, a vida nova, a paz – é o pecado. O pecado do mundo é: não crer em Jesus, o Cristo, não praticar seus ensinamentos, não amar os irmãos. Por isso a Comunidade dos fiéis recebe o Espírito de Deus e a missão de tirar o pecado do mundo, vivendo a fraternidade, ressuscitados em Cristo. Lembrando e celebrando a Ressurreição do Senhor, a Comunidade sempre se reúne no 1º. dia da semana (Dies Domini – Dominica – Domingo), dia do Senhor, para dar graças a Deus (Eucaristia) pela salvação que Ele conquistou para todos por sua morte e ressurreição. Hoje, embora, não tenhamos visto o Senhor Ressuscitado com nossos olhos, somos chamados a acreditar nele, pelo testemunho que os Apóstolos e a Igreja nos dão. A fé será para nós fonte de alegria e nos confirmará na esperança de alcançar a salvação, a vida eterna (2ª. Leitura (1Pd 1,3-9) e nos dará sempre a força para viver a vida nova que a Ressurreição do Senhor instaurou para nós. 3º Domingo da Páscoa (8 de maio) No dia de Pentecostes o apóstolo Pedro, falando à multidão, atesta, com seu testemunho, que Jesus a quem os homens ímpios mataram, pregando-o na cruz, não foi abandonado na região dos mortos. Deus o ressuscitou e agora, exaltado pelo Pai, Ele derramou sobre os discípulos o seu Espírito. A verdade de sua Ressurreição já fora predita pelas Escrituras (Antigo Testamento) e agora é confirmada pelo testemunho dos Apóstolos (1ª. Leitura: At.2,14.22-23). O Evangelho de Lucas (Lc 24,13-35) apresenta o caminho para o verdadeiro encontro com Cristo: a escuta das Escrituras, o partir juntos o pão, e o testemunho dos Apóstolos. Os discípulos de Emaús, caminhando desconsolados e abatidos, começam a entender o sentido dos acontecimentos quando Jesus lhes explica as Escrituras. Mas é ao partir o pão que eles o reconhecem e acreditam que Ele está vivo, Ressuscitado. E sua fé é confirmada pelo testemunho dos onze: “realmente, o Senhor ressuscitou!” Cristo Ressuscitado é o fundamento de nossa esperança. Ele nos resgatou de uma vida fútil, sem sentido, não pelo preço da prata e do ouro, mas pelo seu precioso sangue. Por Ele é que alcançamos nossa fé em Deus (2ª. Leitura: 1Pd 1,17-21) - o caminho da salvação, o Reino de Deus, o verdadeiro sentido de nossa vida. E o lugar privilegiado de nosso encontro com Cristo vivo é a Comunidade de fé. Ele se revela a nós quando partimos o pão junto com os irmãos (Eucaristia), quando , na fé, comungamos com a história, com a vida real de nossos irmãos. 4º Domingo da Páscoa (15 de maio) Na sua pregação aos judeus, no dia de Pentecostes, Pedro procura conscientizá-los de que Jesus, que fora por eles rejeitado e morto, foi por Deus constituído Senhor e Cristo. E os exorta à conversão, a mudar sua maneira de ver, sua escala de valores e aderir a Cristo. Muitos se convertem e recebem o Batismo – como consagração a Cristo, sinal de perdão dos pecados e marca de pertença ao novo povo de Deus, à Igreja (1ª.Leitura: At.2,14a.36-41). O exemplo de Cristo, que sofreu por nós, nos anima a seguir seus passos, a caminhar na justiça, no caminho da verdadeira vida. Jesus é o pastor que guarda nossas vidas (2ª. Leitura: 1Pd 2,20b-25). O Evangelho (Jo 10,1-10), na alegoria das ovelhas que ouvem e conhecem a voz do pastor e seguem o seu caminho, é também um apelo à conversão, ao seguimento de Jesus Cristo. A celebração da Páscoa nos convoca à verdadeira conversão, mudança de caminho. Cristo é a porta das ovelhas, que as conduz às verdes pastagens e as abriga em seu redil. Cristo é o Pastor que nos conduz aos prados eternos, onde encontraremos a Vida. Passar pela porta é aderir a Cristo (Batismo). Só o caminho que passa por Jesus Cristo (Amor, Verdade, Vida) é que nos dá acesso ao Pai, à salvação, à vida nova. Que passemos pela porta e trilhemos sempre o caminho que é Jesus Cristo! 5º Domingo da Páscoa (22 de maio) No Evangelho deste domingo (Jo 14,1-12) Jesus proclama: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida”. Para se chegar ao Pai, à salvação, à verdadeira vida – o caminho é Jesus Cristo. Somente praticando o que Ele praticou, vivendo como Ele viveu, no amor e fidelidade à vontade e projeto do Pai – até o fim – é que chegaremos à Verdade, à Vida plena, a Deus. Jesus é quem nos ensina como Deus é. Deus é Amor. Ele, Jesus, está em Deus e Deus está nele. Seus ensinamentos, sua prática, sua vida, sua morte – são a expressão mais viva do Amor. A busca da Verdade, o anseio pela felicidade, pelo repouso no Absoluto, a casa do Pai – se alcançam pelo caminho que é Cristo. Não há outras vias para se chegar a Deus. Para viver a fidelidade aos ensinamentos de Jesus Cristo, viver no seu caminho, a Primeira Comunidade dos Cristãos se organiza no serviço da Palavra e assistência aos pobres – diaconia – (1ª.Leitura: At 6,1-7). Esta é a vocação da Igreja, sua razão de ser: servidora do Mundo. Sua base se assenta em Cristo, rocha, pedra angular, que foi rejeitada pelos homens (sua morte), mas se tornou pedra viva (sua ressurreição). Tropeçam nesta pedra os que rejeitam a Cristo, os que nele não acreditam, não aderem à sua prática, não vivem de acordo com seus ensinamentos, não seguem o seu caminho. A comunidade dos que crêem, a Igreja, é chamada de raça escolhida, nação santa, sacerdócio do Reino – para exercer a missão de santificar o mundo. Vivendo na prática sua Palavra, seguindo o seu caminho, a Comunidade dos fiéis (Igreja) cumprirá sua vocação de sacramento e ferramenta de Deus para a construção de seu Reino, a fim de que todos cheguem à Vida, à salvação (2ª. Leitura: 1Pd 2,4-9).  

A salvação, porém, não é privilégio dos que oficialmente pertencem à Igreja, pois mesmos aqueles que não conseguem explicitamente aderir a Cristo, mas nas opções da vida, optam pelas suas práticas, estes estão seguindo seu caminho. Agindo como Ele, estarão encontrando a Vida, a salvação.
          6º. Domingo da Páscoa (29 de maio)       No Evangelho deste domingo (Jo 14,15-21), Jesus, em seu discurso de despedida, garante aos discípulos (aqueles que o amam) a continuidade de sua presença pelo Espírito Santo. O Pai e o Filho habitam, por meio do seu Espírito, em quem vive no seu Amor. Jesus envia o Espírito Santo, para que aqueles que o acolhem (Batismo) sejam confirmados na fé pelo Espírito Paráclito e testemunhem no amor (observância dos mandamentos, vida no seu caminho) que Ele está no meio de nós – e dêem continuidade à sua obra de salvação, a construção do Reino de Deus.   Para o mundo que não mais o vê, os cristãos, vivendo como Jesus viveu, estarão dando a razão de sua esperança, do sentido da vida (2ª. Leitura: 1Pd 3, 15-18) - a vida nova do Reino de Deus.   Os samaritanos que aceitaram o Evangelho, após serem batizados por Felipe, receberam o Espírito Santo pela imposição das mãos dos Apóstolos (1ª. Leitura: At 8,5-8.14-17). Foram, assim, confirmados pelos dons do Espírito, para viverem na unidade, como membros da comunidade dos os fiéis, seguidores de Cristo. Assim também, hoje, todos os fiéis batizados, ao receberem o sacramento da Crisma, são chamados a confirmarem seu Batismo, tomando consciência da dignidade da sua vocação de cristãos, vivendo em unidade com os irmãos, revigorados pela força do Espírito – construindo o Reino de Deus.              

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