A Palavra de Deus na Liturgia

A Palavra de Deus na Liturgia (Márcio  R. Motta) Ascensão do Senhor (5 de junho) A Ascensão revela toda a realidade da glorificação de Cristo. Após sua ressurreição Jesus aparece várias vezes aos discípulos, deixa-lhes as últimas instruções e os anima e os confirma com a força do Espírito Santo e lhes confia a missão de evangelizar – de serem suas testemunhas em toda  parte, “até os confins da terra” (1ª. Leitura  At 1-11). A solenidade da Ascensão é a celebração do poder de Deus que se manifestou na ressurreição de Jesus, que “subiu aos céus e está sentado à direita do Pai”. Sua glorificação nos faz tomar consciência de que, também nós, somos chamados a tomar parte na herança da riqueza de sua glória (2ª Leitura Ef 1,17-23). Nossa vocação  à comunhão na glória com Cristo é um apelo para que testemunhemos que Ele é o “Senhor” – aquele que conduz a humanidade ao seu verdadeiro destino – a participação na vida gloriosa. Como instrumento de sua presença no mundo, a Igreja, Corpo de Cristo, tem a missão de anunciá-lo a todos os povos, a fim de fazer de todas as pessoas discípulos seus. E nesta missão Ele garante que estará conosco até o fim dos tempos (Evangelho Mt 28,16-20). Pentecostes (12 de junho) Pentecostes é o complemento da Páscoa. O acontecimento da vinda do Espírito Santo (1ª.Leitura At 2,1-11) é a manifestação da riqueza da vida nova do Ressuscitado transmitida aos discípulos. A plenitude dos dons do Espírito infundida sobre eles marca o início da ação missionária da Igreja nascente. Compreendendo o mistério de Cristo, Filho de Deus e Senhor, sem temer perseguição e morte, anunciam os planos da salvação de Deus para todo o mundo. A Segunda Leitura (1Cor 12,3b-7.12-13) ensina que a diversidade de dons na Comunidade provém de um mesmo Espírito, que nos une num só corpo, pois nossa fé em Jesus, o Cristo, nosso único Senhor, se mantém viva na força do Espírito Santo. Os dons , colocados a serviço da Comunidade, fazem crescer a comunhão entre os fiéis, porque o Espírito Santo é o Espírito da unidade, o Espírito do amor. Fortalecida pelos dons do Espírito, a Igreja, Corpo de Cristo, é chamada a continuar sua missão salvadora – comunicar a sua paz, falar a linguagem da justiça e do amor, tirar o pecado do mundo (Evangelho Jo 20, 19-23). Santíssima Trindade (19 de junho) Deus se manifesta a Moisés como “Senhor” misericordioso e clemente, rico em bondade e fiel (1ª. Leitura Ex 34,4b-6.8-9). A magnitude de seu amor se revela no grande dom (graça) que Ele deu ao mundo - seu Filho Unigênito, que se fez um de nós para nos salvar (Evangelho Jo  3,16-18). Este Deus do amor e da paz estará sempre conosco, pela graça que Ele derramou sobre nós em Cristo Jesus, gerando nossa comunhão (comum união)  no Espírito Santo (2ª. Leitura 2 Cor 13,11-13). É este o mistério sublime de nossa fé – a Trindade Santíssima: Pai, Filho e Espírito Santo – Deus que é comunidade, comunhão de amor e de vida. A obra de Cristo, a realização do plano de amor do Pai para o mundo, se opera na comunhão do Espírito Santo. Nós cristãos, pela fé, acreditamos num único Deus: o Pai, doador do Espírito, que animou Jesus Cristo em sua obra redentora, assumindo nossa carne para nossa salvação. Este é o acontecer de Deus em nossa vida e na história do universo. Deus é este mistério de amor, amor que transborda até nós para que tenhamos vida. A exemplo do amor e unidade da Santíssima Trindade, somos chamados a viver entre nós em verdadeira comunhão de amor, fiéis à proposta de Jesus Cristo, para a construção de um mundo novo,de concórdia, de justiça e de paz, de vida plena e abundante para todos – o Reino de Deus. Corpus Christi (23 de junho) Moisés, falando ao povo, lembra que, durante a travessia do deserto, Deus fez jorrar água da rocha e os alimentou com o maná (1ª. Leitura Dt 8,2-3.14b-16a). O maná, dom que Deus fez cair do céu para alimentar seu povo em caminhada de libertação, é símbolo do verdadeiro pão  que desceu do céu, Cristo Jesus, verdadeiro dom do Pai à humanidade (Evangelho Jo  6,51-58). Sua existência humana (sua carne) significa o dom do céu para a humanidade. Comer do pão, que é a  sua carne, significa assimilar Jesus Cristo em nós, seus ensinamentos, sua vida. Beber do vinho, que é seu sangue (sinal de sua morte violenta), significa comprometer-se radicalmente com sua causa. Celebrar a Eucaristia é fazer a memória de sua morte e ressurreição (Páscoa). Como memorial de sua morte e ressurreição, a celebração eucarística, através dos símbolos sacramentais do pão e do vinho, recebidos em atitude de fé, torna Cristo presente entre nós, atualizando sua ação redentora para a vida do mundo. Comungar, receber o pão e o vinho da Eucaristia, significa nossa união com Cristo, assumir em nós sua vida, viver do jeito que Ele viveu. Significa também comunhão (comum união) com nossos irmãos, pois todos nos alimentamos de um único pão, que é Cristo Jesus que morreu por todos nós. O pão repartido na assembléia cristã, a comunhão do único pão nos torna o único corpo de Cristo (2ª. Leitura 1Cor 10,16-17). A solenidade de Corpus Christi é, pois, a festa da unidade da Igreja, que Ele nutre no mistério de seu Corpo e Sangue – sua doação para a vida do mundo – mistério de amor. Celebrar a Eucaristia é se comprometer pessoal e comunitariamente  com a vida de Cristo. O dom de sua vida para nós só se torna fecundo quando, na comunhão com Ele e com nossos irmãos, fazemos de nossa vida, também, um dom na solidariedade, na caridade. 13º. Domingo do Tempo Comum (26 de junho) A mulher sunamita  foi recompensada com o dom de um filho, pelo acolhimento generoso que dava a Eliseu, profeta de Deus (1ª. Leitura 2Rs 4,8-11.14-16a). No Evangelho (Mt 10,37-42) Jesus afirma que quem receber um dos seus discípulos  estará recebendo a Ele. E quem lhes der mesmo que seja apenas um copo d´água não ficará sem recompensa. Os discípulos de Cristo, profetas e missionários,  eram pessoas simples , humildes, pobres (pequenos). Não ocupavam lugar importante na sociedade. Despojados, como o próprio Cristo, deixavam tudo para  levar  o Evangelho (a Boa nova da Salvação) a todas as nações. O anúncio do Evangelho nos chama a viver vida nova em Cristo. Se pelo batismo morremos com Cristo para o pecado, com Ele ressuscitaremos para a vida divina (2ª. Leitura Rm 6,3-4.8-11). Nossa vida nova em Cristo, que vem a nós pela graça (dom de Deus), tem como exigência nosso acolhimento na fé e nosso empenho e correspondência para frutificá –la. É preciso tomar a cruz de cada dia, desapegar-se dos egoísmos, perder a própria vida. É percorrendo esse caminho que encontramos a vida. Jesus não prometeu facilidades, fuga do sofrimento, bem-estar material, riquezas, para seus seguidores.  Mas, ao contrário, tornou claro que é necessário passar pelo caminho estreito (amor, doação, entrega da própria vida). Este é o caminho para a vida em plenitude – Deus. O caminho para vida em Deus não passa pela ideologia do bem-estar material (tão propalada e prometida pelos grupos pentecostais), mas pela teologia do bem-querer, o amor – a marca do verdadeiro cristão.                                                

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