A PALAVRA DE DEUS NA LITURGIA

Solenidade de São Pedro e São Paulo  - 3 de julho   A Igreja celebra hoje em todo o mundo a solenidade de São Pedro e São Paulo, os esteios da fé católica. Paulo, o grande apóstolo, missionário, que difundiu a Palavra de Deus e expandiu a Igreja de Cristo, fundando comunidades em vasta região do Império romano. Pedro, o apóstolo escolhido como pedra fundamental da Igreja, para confirmar a fé dos irmãos e manter a unidade dos fiéis. Como testemunha de Cristo, Pedro é exposto à perseguição e sofrimento, não é abandonado pela Comunidade, que permanece unida, rezando por ele, e nem  por Deus, que envia seu anjo para libertá-lo da prisão (1ª. Leitura  At 12,1-11). Paulo, de perseguidor dos cristãos, após sua conversão torna-se o mais ardoroso apóstolo de Cristo. Seu ministério foi marcado por muitos trabalhos, perseguições e sofrimentos. Mas, vivia tudo isso guardando a fé, combatendo o bom combate, oferecendo sua vida para conquistar os fiéis para Cristo (2ª Leitura 2Tm 4,6-8.17-18). A Igreja recebeu a missão de ligar os homens a Deus, fazer com que todos vivam  a comunhão com Deus. Mas isto só será possível pela fé em Jesus, o Cristo, Filho de Deus (Evangelho Mt 16,13-19). Como Igreja, todos nós, animados pelo exemplo dos apóstolos Pedro e Paulo, que deram suas vidas pela causa do Evangelho, somos chamados a viver nossa comunhão em Cristo, com fidelidade e coragem, sempre disponíveis ao serviço dos irmãos, para realizar a obra  do Reino de Deus.     15º. Domingo do Tempo Comum - 10 de julho   A liturgia deste domingo ressalta a importância, a centralidade que a Palavra de Deus deve ocupar na vida da Igreja, em nossa vida.  No Antigo Testamento Deus é apresentado não  como um ídolo mudo, que tem boca mas não fala. Javé, Deus, fala aos homens. Ele se revela pela maravilha de sua criação. Ele fala, fazendo-se presente na vida de seu povo eleito, através de inspirações pessoais, de apelos  e castigo, usando de misericórdia, salvando.  Fala a Moisés. Fala através dos profetas, advertindo os desvios de seu povo, os desmandos de seus dirigentes. Fala para reanimar a esperança de seu povo, apontando sempre o caminho da vida, da salvação. O ponto culminante da Palavra se dá  quando, no  Novo Testamento, esta Palavra, o Verbo, se torna carne e vem viver no meio de nós. Jesus é a Palavra viva de Deus. A Palavra de Deus é eficaz, como a chuva que cai do céu e para  lá  não volta sem produzir seu efeito (1ª. Leitura Is 55,10-11). A Palavra de Deus anunciada por São Paulo chama nossa atenção a tomarmos consciência da certeza da salvação, da glória que se revelará em nossa existência, quando pela ressurreição tomarmos posse, em plenitude, da condição de filhos de Deus. Até a natureza aguarda conosco,  na esperança, o fato de nossa total libertação e transformação (2ª. Leitura Rm 8,18-23). A Palavra de Deus, sem dúvida, não é somente a palavra proclamada,  porque Deus fala também, antes de tudo, nos acontecimentos, isto é, através da história, da vida vivida pelo seu povo. Jesus é a Palavra viva de Deus, que nos convoca, como Igreja, a vivermos como família de Deus, redimidos, salvos, santificados pela força  de seu amor. Mas, o efeito de sua Palavra vai depender de nossa correspondência ou não a ela. Nossa atitude poderá ser de indiferença,  recusa, desprezo ou acolhimento. É preciso criar condições para que a Palavra de Deus produza frutos em nosso coração, em nossa vida. É preciso encontrar um coração que seja terra boa (Evangelho Mt 13,1-23).     16º. Domingo do Tempo Comum -  17 de julho   “O´ Senhor, vós sois bom, sois clemente e fiel, sois perdão para quem vos invoca (Sl 85) A mensagem da Palavra deste domingo nos ensina sobre a paciência de Deus. Antes de tudo, nosso Deus é rico em bondade e misericórdia. O domínio de Deus é o domínio do amor. Por isso  Ele age com indulgência e clemência, ensinando que o homem justo deve ser humano (1ª. Leitura Sb 12,13.16-19). Desde o início da humanidade, convivem nesta terra bons e maus, justos e injustos, santos e pecadores, o bem (trigo) e o mal (joio). Jesus veio inaugurar o Reino de Deus, reino da verdade, da justiça, da vida, do amor e da paz. A todos  Ele chama para o banquete de seu Reino. A ninguém exclui. Em toda a sua vida Ele encarna a paciência de Deus. O trigo está misturado ao joio. Não se deve arrancar tão logo o joio sob o risco de, com ele, arrancar-se também o trigo. É preciso dar tempo ao tempo. Justos e pecadores são todos chamados à vida, à salvação. Como fermento na massa, os bons (trigo) podem motivar os maus (joio) á conversão. Cristo veio como médico para os doentes.  É paciente com todos e concede aos pecadores tempo para amadurecer sua conversão. O joio só deverá lançado ao fogo quando realmente chegar o tempo da colheita do trigo, se até o fim, resistir ao seu fermento (Evangelho Mt 13,24-43). Por que existe o mal no mundo? Por que Deus não elimina as injustiças, a miséria, a fome, a dor? O bem e o mal são conseqüência de nossas atitudes. Cabe a cada um de nós a escolha de ser trigo ou joio. É preciso estarmos abertos à ação do Espírito de Deus,que vem em socorro a nossa fraqueza,  para que nossa vida transcorra segundo o plano de Deus, gerando nossa salvação (2ª. Leitura Rm 8,26-27). Deus na sua infinita misericórdia permite que bons e maus caminhem juntos e quer a todos salvar. Ele nos chama a  ser misericordiosos como Ele é misericordioso. A sermos fermento para transformar,  para o bem,  os irmãos que Ele coloca em  nosso caminho. Ninguém pode fugir a essa responsabilidade, por falsa humildade, pois a semente de mostarda pode se tornar maior do que as outras plantas (Evangelho).  Assim é o Reino de Deus.       17º. Domingo do Tempo Comum -   24 de julho   A Palavra de Deus na Liturgia deste domingo nos fala do mistério do Reino de Deus. Salomão pede a Deus “um coração compreensivo,  capaz de governar e discernir entre o bem e o mal”, e Deus lhe concede um coração sábio e inteligente (1ª. Leitura 1Rs 3,5.7-12).  No entanto, Salomão não foi um rei sábio e justo. Ao contrário, a ganância, a sede de poder e de riqueza tomaram conta de seu coração e ele se esqueceu de seu povo, da justiça e do direito. Os bens do Reino de Deus:  sabedoria, justiça, fraternidade, paz, amor, vida – são como um tesouro escondido, uma pedra preciosa.  Quem, de verdade, descobre este tesouro é capaz  de se desfazer de tudo para tomar posse dele. (Evangelho Mt 13,44-52). O apego à riqueza, a sede de prazer e de poder são os falsos valores que se contrapõem ao Reino de Deus. Por isso o Reino é anunciado aos pobres, aos humildes. Em suma, o desapego, a conversão, são as exigências precisas para acolhermos em nós o Reino de Deus  e praticarmos suas obras: o amor a Deus e ao próximo, na justiça, na solidariedade, na bondade e na doação da própria vida. O Reino de Deus, instaurado por Jesus, já está no meio de nós, mas sua obra ainda não chegou ao termo definitivo. É missão dos cristãos atuarem como artífices na construção desse Reino, sob o impulso do Espírito. Como Igreja todos estamos a serviço do Reino,  para a obra da salvação, de acordo com o plano de Deus que a todos chama para a participação na plenitude de sua vida (2ª. Leitura Rm 8, 28-30).                   18º. Domingo do Tempo Comum -  31 de julho   No Evangelho deste domingo Jesus contrapõe a elite poderosa dos judeus, que mataram João Batista (banquete da morte) à multidão dos pobres que se reúne em torno dele e se beneficia com a multiplicação dos pães (banquete da vida), saciando sua fome (Evangelho Mt 14, 13-21). Mais do que realizar um milagre para saciar a fome da multidão, Jesus quer tocar nos corações dos que têm pão e têm peixe, para ensinar aos discípulos e a todos nós a  necessidade  da partilha, capaz  de realizar o milagre de acabar com a fome no mundo: “daí-lhes, vós mesmos, de comer”. Jesus veio instaurar o Reino de Deus. Enquanto os dirigentes civis e religiosos  tiram a vida do povo e condenando-os a uma vida de miséria e fome, Jesus, como novo Moisés, sacia a multidão. Nele se cumpre a aliança eterna feita com seu povo:  “Inclinai vosso ouvido e vinde a mim, ouvi e tereis vida” (1ª. Leitura Is 55,1-3). O Reino de Deus, a Boa Nova de Cristo, sem dúvida, não consiste só em comida e bebida, não se limita em trazer a saciedade corporal. A multiplicação dos pães é o sinal da necessidade de um alimento que sacia para a eternidade. Mas o ser humano que tem fome de amor, de paz, de Deus, enquanto ser biológico neste mundo, tem também necessidade do pão que alimenta o seu corpo. O milagre da multiplicação dos pães aponta para a Eucaristia. Participando da Ceia Eucarística, em que o pão partido é distribuído a todos, os fiéis são fortalecidos pelo pão da Vida, tornando-os capazes de amar mais os seus irmãos, levando-os a prover de pão os que dele são privados. O amor, a comunhão em Cristo,  leva-nos, necessariamente, ao amor e comunhão com os irmãos. É a força vivificante desse amor de Cristo por nós que gera em nossa vida a capacidade de continuar realizando a sua obra, o milagre da partilha dos pães. Nada pode  separar-nos do amor de Deus, manifestado em Cristo (2ª.Leitura Rm 8,35.37-39).

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