Jesus na sala de aula

Jesus na sala de aula “A sabedoria abriu a boca dos mudos e soltou a língua dos pequeninos”. (Sb 10,21)   Ana Luísa sempre foi uma boa aluna e tirava as melhores notas da sala. Ela sonhava ser professora. Cresceu e realizou seu sonho. A sua primeira experiência foi numa escola na periferia, com uma classe especial, formada por alunos repetentes. Ela prometeu a si mesma que amaria intensamente aqueIas crianças que não eram amadas, e faria delas pessoas voltadas para o bem. Mas, aos poucos, a promessa ficava mais difícil de ser cumprida: Ana Luísa se decepcionava dia após dia. Os alunos eram rebeldes, desordeiros ... enfim, impossíveis.Todos os dias inventavam algo para provocar a jovem professora. A gota dágua foi quando eles encheram a sua mesa com um monte de figuras pornográficas. Chorando, Ana Luísa apresentou seu pedido de demissão, em caráter irrevogável. A diretora da escola, uma mulher sábia e dedicada, argumentou: - Mas como você vai fazer isto, se em sua sala está estudando o próprio Jesus! - Como? - perguntou a jovem, incrédula. E a diretora garantiu: - Sim, é isso mesmo que você ouviu. Jesus está inscrito na sua sala de aula. Mas ele está incógnito. Não sabemos quem é. A jovem mestra ouvia tudo, intrigada. - Não posso lhe dizer mais nada. Mas lhe asseguro que não estou brincando. Ele é um de seus alunos, ressaltou a diretora. Assim, Ana Luísa retornou à sala de aula, mas com outros olhos. "Quem será? ", se perguntava. Levantava hipóteses e suspeitas sobre qual de seus alunos poderia ser Jesus, que acabavam no mesmo dilema: "pode ser ou não". Afinal, como saber, se Jesus não queria ser reconhecido? Então, desde aquele momento, a professora passou a tratar cada um dos seus alunos com especial carinho e esmero, pois imaginava que Jesus poderia ser qualquer um deles. E aos poucos, tudo foi mudando: os alunos começaram a se sentir respeitados e aprenderam a respeitar também. A história que a diretora contou a Ana Luísa não foi inventada. Ela leu no próprio Evangelho: "Eu tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; fui peregrino e me acolhestes; estive nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava preso e viestes ver-me"  (Mt 25,35-36). Eis aí o vestibular para o paraíso. São João da Cruz tem duas sentenças magistrais sobre o julgamento de Deus, que podem ser usadas para ilustrar esta história: "Onde não há amor, plante amor e, um dia, colherá amor.E no anoitecer da vida, todos seremos julgados pelo amor". Naturalmente a palavra amor tem muitos significados. Aqui, falo do amor responsável e exigente, do amor que tem sua origem em Deus. Existe uma norma básica em todo processo educacional, que pode ser sintetizada em poucas - mas importantes - palavras: amor, firmeza e diálogo. E, se isto não funcionar, apele para o perdão. E depois recomece, com amor, firmeza e diálogo. Na escola da vida,você saberia reconhecer Jesus? O que significa um amor responsável e exigente? Como você encara as mudanças? Jamais podemos pensar no propósito de nossa vida sem pesar na nossa própria história. O rumo que ela está tomando em contraste com nossas intenções, nossas vontades, nosso querer, o que dela esperamos e como queremos vivê-la. Algumas aparas temporais ou circunstanciais sempre vão ser necessárias, mas só vamos realmente conseguir viver bem, se soubermos lidar com os prazeres e desprazeres que estamos sujeitos como viventes. Mudança, sem dúvida nenhuma, é um assunto muito amplo. Sua relevância, riscos e impactos nos envolvem em todas as etapas da vida. Permita-me amigo leitor admirador do Esplendor, entrar neste assunto partindo de pontos básicos do nosso dia a dia, simples, mas que muitas vezes pode nos ensinar uma forma de enfrentar o problema sem se desgastar mais que o necessário. Você, seu cônjuge ou alguém que conheça, tem prazer em mudar regularmente as coisas de lugar? Como você encara discutir alterações no layout da casa ou um posicionamento dos móveis? Já pensou em alternar os caminhos para chegar aos lugares? Você já experimentou trocar o lugar que sempre sentou em sua casa, com outro membro, nem que seja pra exercitar aceitação e apreço as mudanças? Mudanças são inevitáveis: ocorrem quer gostemos ou não. Veja o clima, por exemplo, você pode viver o calor, a chuva e o frio em único dia. Temos também a economia, a política, muitos fatores que influenciam o processo de crescimento ou quem sabe o amadurecimento, se assim posso dizer. E quanto às mudanças essenciais do comportamento, condutas pessoais, compreensão, adoção de práticas que concretizam o desejo de transformação...? Seria uma verdade afirmar que as mudanças acontecem, nós é que não nos abrimos a aprender com elas? Para alguns, tolerância à mudança é inata, acatada com ansiedade. Outros resistem a ela, especialmente quando não acontece segundo seus termos. Imagine caro leitor, quantas pessoas se reprimem em função de novas práticas, inovações tecnológicas e até lideranças, alguns a acolhem, enquanto outros a combatem com cada gota de energia que possuem. Eu vi meu próprio pai reconsiderar que ganhou um excelente genro, quando descobriu que se deve criar filhos para fazer diferença no mundo, seguindo o fluxo da vida, e não especificamente criá-los para si (a grosso modo falando). Tem circunstâncias que a liberdade e equiparada à vida, quando se tira a primeira, com certeza, a segunda “dança”. Para o caso acima, concluir-se que houve um desgaste emocional acima do padrão. Mudança é muito comum na Bíblia, seja no primeiro Testamento, onde encontramos inúmeros exemplos quando Deus chamou para seu serviço, pessoas para fazerem mudanças dramáticas. Já no Novo testamento, fala-se sobre mudanças decorrentes de crescente relacionamento com Jesus Cristo. A hermeneuta destes dois tempos pode sim indicar que o compromisso espiritual terá impacto reconhecível na forma de vivermos, trabalharmos e desenvolvermos relacionamentos. É um grande salto na discussão, se nossa conversa se direcionar para o sentido da mudança de rumo na vida, mas uma mudança para tomar o caminho de volta encontrando meios de esquecer o tempo perdido, valorizar a retomada e assim ganhar um novo espírito. Foi assim que um Pai de família, esta semana, leu para nós da comunidade, no pequeno trecho de uma carta, a manifestação espontânea de um filho em recuperação: “Mãe nunca vai existir mulher que nem a senhora, minha mãe, minha jóia, meu bem mais precioso." "Pai  quando eu for pai, se eu conseguir ser metade do homem que o senhor é, então, irei me orgulhar. Você é meu alicerce, meu amigo, meu irmão, meu ídolo, meu herói meu pai.” A lucidez já é parte de mim o suficiente para reconhecer e agradecer por não desistirem de mim. Sinta na lição de Nicodemos o que é tornar-se nova pessoa (Jo 3,3). O relacionamento com Deus através de Jesus Cristo significa ganhar nova vida. Veja também à experiência de São Paulo Apóstolo: “Quem está unido com Cristo é uma nova pessoa; acabou-se o que era velho e já chegou o que é novo” (II Cor 5,17). “Eu fui morto com Cristo na cruz. Assim já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim...” (Gl 2,19-20). Outro ponto na bíblia, para esta linha de pensamento, não deve ser encarado como apelo a piedade, mas uma lição para romper com velhos comportamentos, ensinada pelo filho de Maria e José de Nazaré. A busca para obedecer a Deus, seja no desempenho de nossas responsabilidades, no nosso local de trabalho, no lar ou outra parte, geralmente implica em mudanças e não adaptação de comportamentos antigos e familiares. “...Ninguém corta um pedaço de uma roupa nova para remendar uma roupa velha. Se alguém fizer isso, estraga a roupa nova, e o pedaço de pano novo não combina com a roupa velha. Ninguém põe vinho novo em odres velhos. Se alguém fizer isso, os odres rebentam, o vinho se perde. Vinho novo deve ser posto em odres novos” (Lc 5,36-38). É preciso se esvaziar do que é velho, e se preencher do bem, então porque não voltar pra casa (Lc 15,17-20)? É preciso mudar para pedir perdão, é necessário ser restaurador para perdoar. Querido leitor, estamos no mês da bíblia, por isso, ao finalizar este Momento de reflexão família em foco, proponho pensar a respeito de Maria Madalena, como retrato fiel da pessoa restaurada que verdadeiramente se encaixou no reino de Deus; também no homem bom de Lc 18,18, teve a oportunidade de um encontro com Cristo, não entendeu o que é partilha dos dons fugindo do convite feliz ao discipulado. Ninguém e retirado do reino de Deus, os homens se excluem por si só. Confiantes do que a convivência com Jesus possa significar em nossa vida, tenha um bom mês, sucesso!

Postar Comentário

CAPTCHA security code