NÃO DESANIME – Não tenha preguiça de reservar um tempo para rezar

7 julho 2020
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Há dias não conseguia rezar o meu rosário. Chegava em casa tarde, cansada, sentindo-me consumida pelo desgaste físico, mental e espiritual. Quando se vive numa cidade grande como esta, o combate espiritual é sempre muito intenso e, às vezes, isso desgasta muito mais do que o trabalho físico que realizamos.

Na segunda-feira, cheguei ao trabalho às sete da manhã e saí às dez da noite. Às oito e meia, eu tinha rezado apenas uma dezena do rosário, e o cansaço ‘batia’ de forma muito intensa depois de um final de semana corrido. Senti que, mais uma vez, não iria dar conta de rezar o meu rosário todo. Mas meu coração não se conformava com isso e, como num pedido de socorro, eu disse a Deus: “Meu Senhor, ajude-me a rezar o meu rosário, hoje, preciso ser fiel, mas sinto que não tenho forças, me ajude, por favor!”.

Foi uma pequena prece, mas sincera e desejosa de mudança. Enquanto trabalhava, consegui rezar um terço, depois, fomos para casa e eu continuava tentando vencer o cansaço e rezar.

Deus nos surpreende e nos conduz parar para rezar

Quando eu estava chegando à porta do meu prédio, um rapaz de aproximadamente 17 anos parou na janela do carro e pediu ajuda. O motorista não tinha dinheiro e disse isso a ele, mas o seu desespero era tão grande que ao ouvir mais um “não”, em meio aos outros que ele já tinha ouvido nos últimos três dias, esse começou a chorar e a dizer: “Pelo amor de Deus, eu só preciso de dinheiro para comprar um botijão de gás, tenho cinco irmãos e não tenho nada para comer em casa”.

Ao ouvir aquilo, o meu coração partiu-se, queria fazer alguma coisa, mas não sabia o quê. Diante do sofrimento daquele menino, sentia-me inútil, impotente e, em meio a isso tudo, lembrei-me de que tinha algumas moedas na carteira. Entramos, guardamos o carro e eu voltei para frente do prédio para procurá-lo e dar-lhe as moedas.

Chegando lá, o encontrei pedindo ajuda a duas das minhas irmãs, chamei-lhe e vi que ele estava em prantos, desesperado. Dei-lhe as moedas, perguntei o seu nome, ele disse-me que se chamava Antônio, e disse-me ainda em meio ao choro: “Eu só quero dormir em casa, faz três dias que eu estou pedindo ajuda e não consigo nada, eu só preciso de dinheiro para comprar o gás”. Então, disse-lhe: “Vá para casa e amanhã você volta para pedir ajuda”, mas ele respondeu que não podia, porque, se ele voltasse para casa, seu padrasto…

Meu anjo da guarda

Eu não tinha muito o que fazer, pois não tinha dinheiro nem podia resolver o problema do Antônio. Lembrei-me, então, que havia um terço dentro da minha bolsa e resolvi lhe dar. Entreguei o terço ao Antônio e disse que Nossa Senhora iria ajudá-lo a conseguir o dinheiro de que ele estava precisando. Eu poderia até desconfiar do que ele me dizia, mas, dentro de mim, alguma coisa me dizia que ele estava sendo sincero, eu sabia que aquela era sua verdade.

Depois de fazer o pouco que podia por ele, entrei e fui para minha casa. No entanto, a lembrança do Antônio não me saía da cabeça, meu corpo queria descansar, dormir, mas depois de tudo o que eu tinha visto, não podia ficar indiferente, tomei uma decisão e disse a mim mesma: “Pelo Antônio eu vou terminar de rezar o meu rosário . Sei que não tenho soluções imediatas, mas acredito que a minha oração vai, de alguma forma, ajudá-lo”.

Seja firme na oração

E, enquanto não terminei de rezá-lo, não fui dormir (embora eu e o sono travássemos uma batalha árdua) e, graças a Deus, o amor venceu e eu pude ser fiel mais um dia.

Não sei quem é o Antônio, não conheço a sua origem, a sua família nem mesmo sei de onde veio nem para onde iria, em meio ao sofrimento. Tudo o que sei é que naquele dia, ele foi o ‘meu anjo da guarda‘, pois, foi aquele que me ajudou a ser fiel a Deus; por isso, acredito que as minhas orações se não o socorreram ainda, um dia vão alcançá-lo, onde quer que ele esteja.

Sei que, na verdade, foi o Antônio quem me ajudou a resolver os meus problemas e os de tantos outros que estavam incluídos na minha oração. Aquele que aparentemente precisava tanto de ajuda, foi quem me ajudou e, certamente, salvou a muitas almas.

Obrigada, Antônio! Graças a Deus que você existe! Que o Bom Deus lhe alcance onde quer que você esteja!

Lorrayne Moysés Marcelino

Foto Ilustrativa: Bruno Marques/cancanova.com

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