Primeiro a Igreja Católica é a grande atacada; depois, todas as Comunidades Cristãs. Não nos iludamos!

17 setembro 2020
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Noticiou-se que a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo decidiu retirar de seus livros didáticos as expressões antes de Cristo (a.C.) e depois de Cristo (d.C.). Em seu lugar, usará antes da Era Comum (a.E.C.) e na Era Comum (E.C.). O fato merece comentários.
Já de início, devemos dizer que a mudança é um ataque frontal ao Cristianismo – e, por conseguinte, a cada cristão – e uma concessão ao laicismo agressivo de nossos dias. Com efeito, o Pe. David Francisquini assegura que um laicista assim argumenta, de modo ditatorial: “Nós divergimos, mas quem tem razão sou eu, que tenho a mente livre e não atada por dogmas religiosos” (Catecismo contra o aborto. São Paulo: Artpress, 2009, p. 35). Ora, “a marginalização do Cristianismo não poderia ajudar ao projeto de uma sociedade futura e à concórdia entre os povos; seria, pelo contrário, uma ameaça para os próprios fundamentos espirituais e culturais da civilização” (Congregação para a Doutrina da Fé. Nota Doutrinal sobre algumas questões relativas à participação e comportamento dos católicos na vida política, 24/11/2002, n. 6).
 
No entanto, não nos esqueçamos de que a nova medida da Secretaria da Educação, afrontosa como é, parece visar a rejeição total de Cristo, Nosso Senhor, na vida pública. A religião deveria ser banida da esfera social. O Estado de São Paulo – que, por justiça, leva o nome do grande Apóstolos das gentes, Paulo de Tarso –, tenta seguir uma tese anticristã que se levanta em alguns países para afundar o mundo todo no laicismo agressivo. Isso foi o que pregou, por exemplo, Vincent Peillon, ministro socialista da Educação na França, ao dizer: “Até agora foi feita uma revolução essencialmente política, mas não a revolução moral e espiritual. Deixamos à Igreja Católica o controle da moral e do espiritual. Agora é preciso substituir isso […]. Jamais poderemos construir um país de liberdade com a religião católica. É preciso inventar uma religião republicana que deve ir junto com a revolução material, religião que, de fato, é a laicidade. E é por causa disso, aliás, que no início do século XX se começou a falar de fé laica, de religião laica” (Catolicismo n. 752, agosto de 2013, p. 13). A pergunta a ser feita é: permitirá Deus que, por moleza nossa, cheguemos lá? Primeiro a Igreja Católica é a grande atacada; depois, todas as Comunidades Cristãs. Não nos iludamos!
 
Fato é que a atual decisão da Secretaria da Educação é um pecado grave e a rejeição da própria história. Sim, pecado, pois Cristo, Nosso Senhor, é Deus feito homem por amor incondicional a cada um de nós quando ainda estávamos imersos no pecado (cf. Jo 1,1-2; Rm 5,6-8). Ora, quem nega a Cristo ante os demais, será também por Ele negado diante do Pai celestial (cf. Mt 10,33). É, segundo São João, um Anticristo ou uma facção de Anticristos (cf. 1Jo 2,18.22; 4,3; 2Jo 7; cf. também 2Ts 2,3-4). Já no Apocalipse, o mesmo Apóstolo fala, em linguagem simbolista, de duas grandes Bestas que combatem a Igreja, obra de Cristo, mas são derrotadas (Ap 13,1-8.11-17). Também é a rejeição da própria história, pois a mensagem de Cristo transformou a humanidade.
 
Sim, no séc. II, podia São Justino dizer aos pagãos: “Nós, que nos afogávamos na impureza, agora abraçamos a castidade; nós, que praticávamos a magia, agora nos consagramos ao Deus bom e eterno. Outrora, procurávamos, acima de tudo, o ouro e as riquezas, agora os pomos em comum e fazemos que os pobres os compartilhem. Outrora, éramos divididos pelos ódios e as vinganças; considerávamos como estrangeiros os que não eram da nossa estirpe; agora, porém, convivemos em paz e oramos por nossos inimigos. Isto tudo acontece a partir do dia em que conhecemos a religião de Cristo” (I Apologia 14). Afinal, o Evangelho ensinou que só há irmãos a amar: “Amai os vossos inimigos e orai por vossos perseguidores” (Mt 5,44). Poderia haver mudança positiva maior para a vida pessoal e social? Quererá a Secretaria da Educação, com o aval do governador João Dória e de seu partido, negar tudo isso e assumir o nefasto papel dos Anticristos do conturbado século XXI? – Com a palavra quem de direito…
 
Vanderlei de Lima
http://www.diocesedeamparo.org.br/index.php/2020/09/04/anticristos/

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